Arruado do Engenho Velho
Lugar
“O Arruado é de remanescentes, de uma história bonita. Então a gente tem que entender que o Arruado é um presente que guarda reminiscência, lembrança, memórias”
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Seu Lula Eurico

O Arruado do Engenho Velho é uma comunidade tradicional rural urbana, um logradouro semi-rural, de famílias principalmente matriarcais, existente na história desde da época da colonização holandesa em Pernambuco, sendo território invadido pelos holandeses, fazendo parte do “Caminho secular da Várzea”. Desde os anos 1870 é resistência no bairro da Várzea, localizado a leste do Pátio da Igreja Católica Nossa Senhora do Rosário, na Travessa João Francisco Lisboa, hoje fazendo parte do Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Remanescente da antiga Usina Meio da Várzea. O Arruado foi segregado do restante do bairro pela construção dos prédios da UFPE.
Perpassado por diversas camadas históricas, no século XVII o território foi colonizado por João Fernandes Vieira, e ao longo desses 400 anos foi passado pelo domínio de diversas famílias, nasceu a partir da vinda de agricultores para trabalhar nas Usinas. É reconhecido como uma pequena diáspora, por famílias terem saído do Engenho Velho para outras comunidades do bairro. Com o passar dos anos, o trabalho vem sendo precarizado, antes agricultores, hoje ambulantes, passando por mudanças não só sociais, como econômicas também. Nos tempos passados, a fonte de renda era da agricultura, em que era produzido e vendido às raízes e hortaliças para a Ceasa (Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco) e na Feira de Afogados.
Relações e práticas envolvidas
Há envolvimento de diversas pessoas e famílias, nas diversas camadas históricas do Arruado, que resistiram e resistem até hoje, nomes como Seu Lula Eurico, Isaac Rocha, Beth Cruz, Beate, França, Marcos médico, a família de Manoel Zacarias, Dona Luiza, a professora universitária Ana Emília e todas as pessoas que constroem a memória do Arruado. Existe a “Articulação dos Moradores e Amigos do Arruado”, que se expressa através de um grupo no whatsapp e um grupo no Facebook, que tem como finalidade preservar e reconhecer a Comunidade do Arruado. Da camada histórica mais recente, Maurício Peixoto, falecido em 2015, foi a primeira liderança da comunidade do Arruado, fomentando o corpo político do Arruado do Engenho Velho e multiplicando saberes.
Pessoas envolvidas e função social do bem
No Arruado, as atividades acontecem de diversas formas, as espontâneas que são os encontros de amigos que acabam em Sambada de Coco e Forró. As sambadas são eventos espontâneos que marcam e perpassam gerações no Arruado. Há os projetos de extensão da UFPE dos cursos de Arqueologia e Design que promovem diferentes atividades abertas com a participação dos moradores e abertas ao público em geral. Desde 2014 acontecem atividades espontâneas como cine debate. Antes da Pandemia, aconteceu no dia 28 de Junho a Festa de São Pedro organizada por Isaac Rocha, reunindo professores, alunos/as e comunidade para celebrar o dia de São Pedro e comemorar os aniversariantes do mês de Junho, tendo como atrações quadrilha improvisada e contação de história, há perspectiva da retomada desta ação. Aos sábados, há um encontro de amigos que se reúnem debaixo da Cajazeira para ter um momento de celebração e resgate das memórias antigas do Arruado. também o Toré, um evento marcante e importante, em comemoração de 1 ano da Articulação de Resistência Popular do saudoso Índio Batera da etnia juntamente com outros parentes em contexto urbano, há diversos registros no facebook: https://web.facebook.com/groups/Arruado (comunidadedoarruadoengenhovelhodavarzea) . No Carnaval, teve a saída do Bloco “Cangaroas”. A relação da comunidade do Arruado com a UFPE, é de serviços terceirizados. Na década de 70, tinha uma organização de base política-cultural, chamada “Grupão” muito forte no Arruado, as peças teatrais, fotografias, músicas, eram formas de denunciar as desigualdades do bairro.

Saiba mais
Ao visitar a comunidade você pode encontrar: serviços ofertados pelas pessoas que lá residem tendo como principal fonte de renda o comércio: são vendidos almoço, jantar, picolés da fruta, pipoca, salgadinhos, frutas e o licor de jenipapo de fabricação artesanal. Endereço: Travessa João Francisco Lisboa - Arruado do Engenho Velho - Várzea, Recife/PE.















