Capoeira da Várzea
Forma de Expressão
“ A capoeira é um patrimônio cultural da várzea, vivo e imaterial do bairro, vivo e imaterial da Várzea, a Capoeira da Várzea é isso, é a história de quem continuou ao longo de todas as dificuldades da vida, praticando uma capoeira assim como ela tinha sido pregado aqui na Várzea”
-
Tank

A Capoeira da Várzea, neta do grupo Chapéu de Couro fundada por Mestre Curisco e filha das pessoas varzeanas, foi uma conquista, uma forma de resistência cultural dos mais velhos na década de 80, tendo Mestre Curisco como fonte de conhecimento e multiplicador de saberes capoeiristas. A Capoeira da Várzea era alvo dos ataques racistas, sendo discriminada. A Capoeira da Várzea tem várias camadas históricas desde as mais antigas, até hoje. Fomentando os saberes ancestrais e auxiliando com a educação e fortalecendo a relação com a comunidade. A capoeira da Várzea, traz na sua caminhada referências e momentos importantes para a história da Capoeira brasileira, considerando as camadas históricas, ainda é uma grande família, de fortalecimento de vínculo tendo momentos de reflexão, e de troca de saberes, para além dos treinos. É um reflexo do momento que o sujeito está vivendo, expressando seus sentimentos através dos movimentos do corpo. A Capoeira é cura, através do canto, da dança, e dos movimentos corporais resgata a memória ancestral e a identidade, tudo em coletividade.
Relações e práticas envolvidas
Em meados da década de 1990, Betão, professor de capoeira e uma das referências na história da capoeira da Várzea, começou a lecionar e se tornou um multiplicador dos saberes da capoeira, ocupando diversos lugares como o Centro Paroquial da Igreja Católica, Inocoop, Canto da Vila, Clube da Telpe, Lar Fabiano de Cristo e a Escola de Artes João Pernambuco, que tinha o varzeano e brincante Luiz de França como diretor, foi também na Escola João Pernambuco que a Capoeira da Várzea foi consolidada, tendo muitos alunos e alunas formadas capoeiristas. Antes das aulas formais, os capoeiristas se encontravam para treinar e multiplicar saberes da capoeira no Arruado do Engenho Velho, debaixo do pé de castanhola, situado atualmente dentro da Universidade Federal de Pernambuco. Os encontros da Capoeira eram considerados como um grande evento, de celebração nas rodas de sextas-feiras, evento do grupo Chapéu de Couro, e eventos como a troca de cordas. A Capoeira da Várzea foi e é protagonista nos movimentos de resistência cultural do Bairro, estando presente com celebrações, rodas e resistência. A Capoeira da Várzea sempre esteve em movimento, desde 2021, vem dando continuidade e resgatando as memórias de resistência na Várzea, com Tank sendo professor e multiplicando os saberes na Associação de Moradores da Várzea, estando aberta a participação de toda comunidade.
Pessoas envolvidas e função social do bem
A capoeira da Várzea foi difundida por diversas pessoas, sendo Mestre Curisco o multiplicador pioneiro dos saberes da capoeira no bairro, formando diversos outros que vem a ser referência como Professor Pernã, Betão, Nego, que foi professor de capoeira em um projeto social no bairro para crianças em situação de vulnerabilidade, Daniel e Nen. Posteriormente esses professores formaram os alunos como Dudu, Gordo, Sandro, Heloisa Macedo e Tank, que hoje dá continuidade na história, treinos e formação da Capoeira da Várzea, foram gerações de alunos que se formaram capoeiras na Escola João Pernambuco. Lucas Rocha sendo também um multiplicador importante, pois, logo após adentrar na Capoeira, passou a lecionar aulas de pandeiro na Associação de Moradores da Várzea, em 2022. Capoeira da Várzea é responsabilidade social de cuidado e fortalecimento com as pessoas e famílias que têm relação com a capoeira no bairro. Há relatos de capoeiristas sobre a potencialidade de transformação na vida depois da capoeira. Tendo como função também, o fortalecimento de grupos que fomentavam e fomentam a resistência cultural e social da Várzea, demarcando com a Capoeira diversos territórios periféricos do bairro, como por exemplo, o Sete Mocambo na Rua Barão de Muribeca, no Campo da Vila Arraes e na comunidade Beira Rio

Saiba mais
Desde 2021, a Capoeira da Várzea vem ocupando o espaço da Associação de Moradores da Várzea nas segundas-feiras e quartas-feiras das 18h30 às 20h, que fica localizada na Rua Amaro Gomes Poroca, s/n, em frente à Farmácia Esperança, sendo Tank professor e multiplicador dos saberes capoeiristas.



















