Coco de Quinta
Saberes, e Forma de Expressão
“Pra mim, patrimônio cultural envolve tudo que envolve a história do povo, do cotidiano, a produção e a resistência [...] principalmente do povo preto, do povo indígena e dos povos tradicionais.”
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Alessandro Rodrigues

Ao som dos tambores e pandeiros, o Coco de Quinta encanta a todos com sua energia contagiante. Fundado no bairro da Várzea (Recife-PE), esse grupo de Coco se tornou uma verdadeira tradição nas quintas-feiras, animando a comunidade e atraindo pessoas de outros bairros que vêm prestigiar suas sambadas. A Praça Pinto Damásio, mas conhecida como Praça da Várzea é o palco central dessa movimentação cultural, onde os ritmos do coco ressoam e envolvem todos os presentes em um clima de alegria e celebração. Além de proporcionar momentos de diversão e entretenimento, o Coco de Quinta é uma verdadeira manifestação de identidade e pertencimento, reforçando os laços da comunidade com suas raízes e valores culturais.
O grupo, dedicado à preservação e promoção do coco, surgiu no início de 2020, mas devido à pandemia, as sambadas só voltaram a acontecer sistematicamente a partir de janeiro de 2021. Desde o princípio, o Coco de Quinta era realizado semanalmente, todas às quintas-feiras. Atualmente, as sambadas ocorrem mensalmente, em uma quinta-feira do mês escolhida pelo grupo, sempre às 20 horas. Atualmente, as sambadas foram adaptadas e ocorrem mensalmente, em uma quinta-feira escolhida pelo grupo, sempre às 20 horas. A presença constante do grupo no bairro chamou a atenção dos comerciantes locais, que passaram a incentivar o grupo a aprimorar as apresentações com tendas, caixas de som e divulgação, proporcionando uma experiência ainda mais envolvente para os admiradores da sambada e fortalecendo os laços com a comunidade e os visitantes. Esse reconhecimento dos comerciantes foi fundamental para a organização das celebrações do Coco de Quinta, que hoje movimentam a praça e seus arredores, não apenas com os moradores do bairro, mas também com pessoas que vêm de outros bairros para desfrutar desta rica manifestação cultural. A colaboração com outros grupos como Quilombo do Catucá, Coco da Conceição, Coco Chinelo no Chão, e até mesmo apresentações em festivais promovidos tanto dentro quanto fora do bairro, inclusive na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), demonstra a relevância e o alcance crescente do Coco de Quinta para a cultura popular nordestina. A perseverança e dedicação dos membros do Coco de Quinta ajudaram a difundir o coco e a preservar as raízes culturais da Várzea, celebrando a história, a música e a dança que tornam esse bem cultural tão especial e apreciado por tantos.
Relações e práticas envolvidas
O grupo Coco de Quinta surge no bairro da Várzea como uma poderosa manifestação cultural, enraizada nas ricas tradições afroindígenas, conectando-se de forma profunda com a história e identidade da comunidade e de todos que a admiram. As sambadas do Coco de Quinta transcenderam as fronteiras do Recife-PE, tornando-se conhecidas e apreciadas por amantes do Coco de diversos municípios vizinhos. Essa movimentação cultural na Praça da Várzea não só encanta os participantes, mas também desempenha um papel essencial no estímulo ao comércio local, proporcionando um importante impulso para o desenvolvimento econômico da comunidade. Através do ritmo empolgante do Coco e das danças tradicionais, o grupo mantém viva a memória das tradições ancestrais, transmitindo-as para as novas gerações e enriquecendo a cultura do bairro da Várzea. Além do aspecto cultural, a sambada do Coco de Quinta também traz benefícios sociais e econômicos para a comunidade. A movimentação de pessoas na Praça Pinto Damásio durante as quintas-feiras incentiva os comerciantes locais, que têm a oportunidade de oferecer seus produtos e serviços, criando um ambiente próspero e dinâmico na região.
Pessoas envolvidas e função social do bem
Esse grupo Coco de Quinta é verdadeiramente uma expressão de coletividade, onde cada membro desempenha um papel fundamental para a construção do todo. Suas particularidades e talentos individuais se combinam harmoniosamente, formando um coletivo incrível que é tanto admirado quanto importante no meio da cultura popular. O protagonismo de cada integrante se reflete na riqueza e diversidade sonora das apresentações do grupo. Wildson, com sua voz cativante e envolvente, lidera as sambadas com maestria. Anax, Assíria, Manu, Yafe e Prexa trazem suas vozes e instrumentos como o ganzá, o pandeiro, o maracá e o agbê preenchendo a música com ritmo e energia contagiante. Na percussão tem Lucas Lacônico na alfaia e bombo, João na caixa e Lucas Lajambart na conga e ìlú, que combinam seus talentos para criar uma batida poderosa que envolve todos os presentes. O grupo de coco tem a importante função de preservar a cultura ancestral, transmitindo seus ritmos, danças e costumes de geração em geração, garantindo que essa riqueza cultural não se perca no tempo.

Saiba mais
O Grupo de Coco não se limita apenas aos eventos que eles organizam, mas também marca presença em diversas ocasiões públicas e privadas com suas empolgantes apresentações.


