O terceiro roteiro é dedicado às manifestações artísticas e culturais, aos grupos, aos saberes e fazeres desenvolvidos por pessoas ou grupos reconhecidos como especialistas na localidade. As atividades promovidas podem acontecer em dias e horários fixos ou sem data certa.
Esse itinerário reúne manifestações artísticas, práticas culturais, coletivos locais e saberes especializados que configuram a Várzea como um território plural, criativo e profundamente marcado por tradições em constante reinvenção. As expressões aqui destacadas revelam o papel central desempenhado por mestres, grupos comunitários e artistas na produção de sentidos, pertencimentos e modos de vida, seja em encontros regulares, seja em atividades que emergem conforme o ritmo do cotidiano.
O percurso abrange diferentes linguagens e práticas, como batalhas de rima, grupos de capoeira, coletivos de coco e maracatu, iniciativas ambientais e culturais, expressões narrativas e brincadeiras tradicionais. Integram esse conjunto a Batalha da Várzea, a Capoeira da Várzea e a Capoeira São Salomão, além do Coco dos Capoeira, do Coco de Quinta e do Coco Raízes do Capibaribe. O roteiro inclui ainda o grupo Contos e Lendas da Várzea, o Forró de Cabeça, a Liga de Dominó e o Maracatu Real da Várzea.
Compõem também esse tecido cultural Os Malanarquistas, o Pastoril Meninas Encantadas, o Boi da Mata, o Movimento Ambiental Artístico e Cultural (MAAC), Professor Pernã, os Quintais Produtivos e Zé Lasca Vara. Juntos, esses grupos e mestres revelam a riqueza dos saberes e fazeres cultivados no bairro, evidenciando a articulação entre tradição, experimentação e participação comunitária que sustenta a vitalidade cultural da Várzea.

Roteiro 3
Expressões e Saberes
Manifestações artísticas, mestres e grupos de saberes tradicionais.

Casarão da Várzea
Lugar, Edificacão
O Casarão da Várzea está localizado na Rua Azeredo Coutinho,no bairro da Várzea. A rua onde o Casarão está situado é conhecida popularmente como Rua da Feira e é um local marcado pela sua pluralidade cultural. O Casarão da Várzea é o único chalé romântico inglês de dois pavimentos na cidade do Recife. Ele já abrigou famílias e foi o primeiro hospital odontológico da América Latina. No entanto, atualmente encontra-se abandonado pelo poder público, e os moradores do bairro estão liderando ações de militância para revitalizar esse espaço, pois reconhecem o Casarão como um local de grande importância para a comunidade e para a promoção da cultura no bairro.
Ainda que atualmente o Casarão seja propriedade da Prefeitura do Recife, tem sido a própria comunidade que cuida e preserva o espaço, causando muitas tensões entre os moradores e poder público, por verem que a prefeitura não tem tomado nenhuma iniciativa de resgate desse bem, que se encontra em uma tota situação de descaso e abandono. Em 2016, um grupo de moradores do bairro tomou a iniciativa de criar um coletivo chamado "Salve o Casarão da Várzea". A partir desse momento, a comunidade passou a estar constantemente envolvida no espaço e na luta pela revitalização do Casarão, promovendo atividades culturais, educacionais e agroecológicas. Além disso, eles fundaram a Rádio Magitot e uma Horta Comunitária para disseminar informações e atrair mais pessoas para o coletivo. Todas as mudanças e inovações promovidas têm como objetivo chamar a atenção de toda a comunidade para a importância da preservação desse patrimônio e para a necessidade de revitalizá-lo. Também foram realizadas assembleias públicas na Praça da Várzea, permitindo que toda a comunidade debatesse e construísse propostas coletivas para a recuperação do imóvel e uso do espaço.

Feira Agroecológica da Várzea
Lugar
A Feira Agroecológica da Várzea surgiu em novembro de 20017 em resposta à demanda de alguns moradores do bairro que percebiam a necessidade de um espaço de venda e troca de serviços em torno da comercialização de produtos. Ao perceberem a ausência de um espaço dedicado à comercialização de produtos alimentícios sustentáveis, eles se inspiraram na já existente militância agroecológica na Várzea (Recife-PE) e decidiram agir. Esses moradores tomaram a iniciativa de reunir pessoas do bairro e agricultores familiares, formando um coletivo com o objetivo de suprir as necessidades da comunidade em relação à sustentabilidade.
O local foi concebido não apenas como um espaço de comercialização, mas também como um local de educação, engajamento político e expressão cultural. Além da oferta de produtos sustentáveis, a feira busca promover o diálogo entre os participantes por meio de uma iniciativa chamada "Roda de Diálogos", que é coordenada pelos organizadores da barraca “Paulo Freire”. Essas rodas de diálogo ocorrem a cada quinze dias e abordam temas relevantes para a comunidade. A feira acontece todos os sábados pela manhã, das sete às dez horas, na praça Pinto Damásio, popularmente conhecida como praça da Várzea, um ambiente animado e vibrante. Os comerciantes que participam da feira são agricultores familiares que seguem práticas de produção totalmente orgânicas, sem a utilização de produtos químicos. Esse é o diferencial da Feira Agroecológica da Várzea, pois os visitantes têm a garantia de adquirir produtos saudáveis e livres de substâncias nocivas. Vale ressaltar que os agricultores vêm de diversos locais, não sendo necessário agricultores locais para comercializarem na feira, desde que seus produtos sejam reconhecidos como orgânicos. Além da ampla variedade de frutas, legumes, hortaliças e plantas disponíveis para compra, a feira também oferece opções de lanches orgânicos, todos devidamente certificados com selos de qualidade. Essa diversidade de alimentos e produtos proporciona aos visitantes uma experiência enriquecedora, incentivando a adoção de hábitos alimentares saudáveis e conscientes. Dessa forma, a Feira Agroecológica da Várzea se destaca como um espaço de encontro, troca de conhecimentos, conscientização e valorização da produção orgânica, contribuindo para a promoção de uma alimentação mais saudável e sustentável na comunidade.

Sete Mocambos
Lugar
A comunidade Sete Mocambos tem registros desde o ano de 1616, enquanto uma comunidade quilombola. Sua origem dá-se com a existência de 7 (sete) mocambinhos na beira do rio Capibaribe, vindo daí o nome da comunidade 7 Mocambos. Com mais de 300 casas atualmente, são histórias e construções que vão de geração para geração. Os Sete Mocambos construídos na beira do rio, como forma de resistência e sobrevivência dos povos escravizados da época, que atualmente as famílias resistem às tensões da especulação imobiliária e lutam pela garantia dos direitos à saúde e ao saneamento básico. O 7 Mocambos é uma comunidade que fica na beira do Rio Capibaribe, o rio que já foi alimento e era utilizado para o lazer, com a poluição, não se tem mais esse fim, próximo a Mata da Várzea, apesar do acesso ser restringido pela família Brennan. O 7 Mocambos é um lugar que acolhe várias famílias, agregando quem chega, um lugar tranquilo e que pulsa vida, com crianças brincando a todo momento. A segurança e bem estar são construídos de forma coletiva e comunitária. As famílias residentes têm história de luta e resistência, antes não tinha energia e água, e a partir da organização política e coletiva, a comunidade hoje tem acesso a luz e a água, tendo ainda algumas dificuldades de acesso, mas em busca das melhorias do povo setemocambenses.

Bar da Fossa/Bar da Calcinha/Peludo
Lugar
O "Bar da Fossa" é um local icônico fundado no final da década dos anos 90 por Manuel Farias de Melo, também conhecido como "Nego". Com uma fachada vibrante e acolhedora, o bar ostenta de imediato seu curioso nome, despertando a curiosidade de quem passa por ali. Estrategicamente situado na Rua Estevão de Sá, rua esta que já possui outros bares renomados, o estabelecimento atrai uma variada clientela, desde membros da comunidade acadêmica até visitantes de outras partes da cidade. O charme desse empreendimento, consiste no fato do mesmo fazer parte de um conjunto de bares que funcionam como verdadeiros redutos de artistas, das mais diversas áreas. Além do famoso "Bar da Fossa", destacam-se outros estabelecimentos igualmente emblemáticos, como o renomado "Bar do Pinto", o autêntico "Bar do Rasta", o descontraído "Cavanhaque" o bar de “Renato da Sardinha” e o sempre animado "Peludo".
Em 1998, a rua Estevão de Sá estava passando por obras promovidas pela prefeitura, e nesse contexto, algumas placas da compesa foram instaladas para sinalizar buracos que pareciam jorrar água como um “chafariz”. Essas obras estavam bem próximas ao empreendimento de Seu Manoel, devido à coincidência com as placas de sinalização. Com o passar do tempo, o termo foi se tornando popular e o lugar passou a ter o nome que tem hoje, carregando um duplo sentido que trazia certa jocosidade entre os frequentadores, que perdura até hoje. Ele se tornou um local onde as pessoas encontravam uma forma de "afogar suas mágoas", seja pelo clima descontraído e acolhedor do ambiente ou por ser um ponto de encontro para desabafar e compartilhar suas experiências. Assim, o "Bar da Fossa" ganhou um significado peculiar, tornando-se mais do que apenas um estabelecimento, mas sim, um espaço onde as pessoas podiam relaxar, socializar e encontrar alívio para suas agruras cotidianas. Com a combinação de sua história singular e ambiente receptivo, o bar conquistou um lugar especial nos corações da comunidade local e de todas e todos que o frequentam.

Sítio Canoah
Lugar
O Sítio Canoah carrega esse nome devido a homenagem da junção do nome Canoa, que é utilizada para a embarcação a remo, para transitar no Rio Capibaribe, com o nome Noah, que é filho de Nego, proprietário e cuidador do Sítio que fica localizado na Rua Leoberto Leal, Ur7-Várzea, Zona Oeste da cidade do Recife/PE.

Sítio São Braz (sítio de braga?)
Lugar
O Sítio de Braga, carinhosamente conhecido assim pela comunidade, é um verdadeiro tesouro localizado no bairro da Várzea, mais precisamente na Rua Brigadeiro Antônio de Sampaio. Esse lugar especial é conhecido por sua atmosfera acolhedora e familiar, tornando-o perfeito para sediar festas e confraternizações para toda a comunidade. Oficialmente registrado como "Loteamento São João do Parque Felipe Camarão", o local carrega o nome de “Sítio de Braga” por estar intrinsecamente ligada ao pai do atual proprietário, cujo nome era Lenilson Braga. Com sua rica história e influência musical, o Sítio de Braga continua a ser um espaço privilegiado para a comunidade, perpetuando a tradição de celebrar a vida e fortalecendo os laços entre as pessoas. A cada visita, o carinho e a dedicação presentes neste local se renovam, reafirmando o seu papel como um lugar especial para construir lembranças felizes e estreitar os laços de amizade e afeto entre os moradores da Várzea.
O lugar é amplamente conhecido e querido pela comunidade como um ambiente verdadeiramente acolhedor, onde pessoas podem se reunir para celebrar festas e confraternizações. Com uma história de linhagem familiar, o local foi adquirido pelo avô do atual proprietário, permanecendo na família até os dias de hoje. Essa tradição familiar traz um toque especial ao espaço, que se tornou um local destinado a servir à comunidade. O proprietário do Sítio não cobra pelo uso do espaço para festas de amigos da comunidade. Quando alguém deseja realizar um evento no local, basta reunir-se com os amigos e levar suas próprias bebidas e comidas para desfrutar das confraternizações no ambiente acolhedor do Sítio. O atual proprietário, Lenilson Braga, também conhecido como Popy, é uma figura icônica do bairro como artista musicista. Além de oferecer um espaço para confraternização entre amigos e familiares, ele enriquece o ambiente com a musicalidade. Em todos os eventos realizados no Sítio, há apresentações musicais ao vivo, proporcionadas pelo próprio dono do espaço. A paixão pela música é uma tradição que vem de gerações, uma vez que o pai de Popy foi um notável musicista no bairro, amplamente reconhecido por toda a comunidade. Essa herança musical e o nome "Sítio de Braga", em homenagem ao seu pai Lenilson Braga, contribuem para a notoriedade e apreço que o local desfruta na região.

Arruado do Engenho Velho
Lugar
O Arruado do Engenho Velho é uma comunidade tradicional rural urbana, um logradouro semi-rural, de famílias principalmente matriarcais, existente na história desde da época da colonização holandesa em Pernambuco, sendo território invadido pelos holandeses, fazendo parte do “Caminho secular da Várzea”. Desde os anos 1870 é resistência no bairro da Várzea, localizado a leste do Pátio da Igreja Católica Nossa Senhora do Rosário, na Travessa João Francisco Lisboa, hoje fazendo parte do Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Remanescente da antiga Usina Meio da Várzea. O Arruado foi segregado do restante do bairro pela construção dos prédios da UFPE.
Perpassado por diversas camadas históricas, no século XVII o território foi colonizado por João Fernandes Vieira, e ao longo desses 400 anos foi passado pelo domínio de diversas famílias, nasceu a partir da vinda de agricultores para trabalhar nas Usinas. É reconhecido como uma pequena diáspora, por famílias terem saído do Engenho Velho para outras comunidades do bairro. Com o passar dos anos, o trabalho vem sendo precarizado, antes agricultores, hoje ambulantes, passando por mudanças não só sociais, como econômicas também. Nos tempos passados, a fonte de renda era da agricultura, em que era produzido e vendido às raízes e hortaliças para a Ceasa (Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco) e na Feira de Afogados.

Largo da Igreja da Várzea
Lugar
O Largo da Igreja da Várzea está localizado na Rua Francisco Lacerda, no bairro da Várzea, em Recife, Pernambuco. Popularmente conhecido como Pátio do Rosário, esse local tem um grande reconhecimento por abrigar as igrejas matriz de Nossa Senhora do Rosário e Igreja Nossa Senhora do Livramento, fundadas no final do século XVI. As duas igrejas ainda se encontram lá, infelizmente a Igreja de Nossa Senhora do Livramento não está aberta para visitas e também para celebrações de missas, já a Igreja de Nossa Senhora do Rosário se encontra em funcionamento, aberta para visitas aos sábados a tarde, e em alguns dias para celebrações de missas. Além disso, é importante destacar que o Largo da Igreja da Várzea tem significado histórico, pois foi o local de sepultamento de Antônio Filipe Camarão, um líder indígena e guerreiro brasileiro do século XVII. Atualmente, o Largo da Igreja da Várzea é um espaço de grande relevância, onde ocorrem manifestações artísticas, políticas, além do uso comercial. O local serve como palco para eventos que promovem a cultura, sempre bem iluminado e com decoração no período natalino. Ela fica bem próxima a Rua da Feira e conta com uma programação anual de atividades culturais, tanto da igreja, quanto da ocupação do espaço por outros produtores culturais que oferecem apresentações musicais, exposições e feiras, parquinho de diversão e barracas de comida e bebida.
Atualmente, o Largo da Igreja possui dois aspectos distintos e marcantes: o viés religioso e o viés comercial. Ele é amplamente reconhecido no bairro por sua relevância histórica e religiosa, que continua presente até os dias atuais por meio da igreja e das instalações católicas existentes no local. Essa tradição religiosa atrai a atenção e a participação da comunidade local. Por outro lado, o Largo da Igreja também é conhecido por abrigar cafeterias e restaurantes que atraem moradores e visitantes, tornando-se um ponto de encontro e convívio social. Além disso, o Largo da Igreja é um espaço atrativo para todos os públicos ao longo do ano. Nele, são realizadas diversas intervenções culturais, políticas, artísticas e até mesmo comerciais. Essas atividades tornam o local vibrante e estimulante, proporcionando experiências diversas aos frequentadores. Em seu centro existem banquinhos em um espaço bem iluminado que ensejam uma boa conversa entre amigos e familiares. Seu entorno está quase que por completo preservado quanto as suas fachadas, remetendo a um lugar bucólico e nostálgico.

GRIS - Espaço Solidário
Lugar
A Associação Gris- Espaço Solidário, uma organização não-governamental, teve início em Outubro de 2018, com a intenção de ser um espaço para triagem e organização de doações de roupas para o interior do estado de Pernambuco, com a conquista do espaço físico, passou a ser um local de educação com o objetivo de transformação social e combate ao racismo para e na comunidade Vila Arraes, no bairro da Várzea, que está localizada na Rua Diogo Barbosa Machado, nº15, zona oeste da cidade do Recife/PE. A Gris é um espaço de apoio lúdico e de acompanhamento psicopedagógico para as crianças, adolescentes e mulheres/mães da comunidade, tendo como critério para o acompanhamento, o acolhimento das famílias atendidas.
Considerado como um grande Oásis para a comunidade, o GRIS é um local de resistência, quebra de paradigmas, acolhimento e construção de pertencimento, assim como fortalecimento da autoestima e autonomia, um patrimônio cultural e humanitário no bairro da Várzea. Tendo características de um espaço que desperta o lúdico, o acolhimento e tranquilidade. Passando por diversas fases, tendo um papel fundamental na Pandemia em 2020 e no desastre ambiental que é fruto do racismo ambiental que as comunidades vulneráveis da cidade do Recife sofrem em tempos de grandes chuvas, que ocorreu em maio de 2022.

Escola João Pernambucano
Lugar
A Escola Municipal de Arte João Pernambuco se consolidou em meio à muita resistência e organização coletiva e comunitária, em que foi construída e criada pela comunidade, sendo uma estrutura importante para encontros, reuniões, formações da comunidade, para além do ensino da arte.

Rio Capibaribe
Lugar
O Rio Capibaribe é um estuário pernambucano, que está sendo, há tempos, impactado pelas ações de poluição e abandono do poder público. No antepassado no Bairro da Várzea, tinha suas águas cristalinas, uma importante fomentação econômica-social para as famílias ribeirinhas, com a pesca de camarões, siris e peixes para a alimentação e comercialização. Um lugar também de lazer, passeios com jangadas e banho de rio. Atualmente o Rio Capibaribe é deságua dos dejetos das comunidades ribeirinhas da Várzea, como o 7 Mocambo, Vila Arraes, Beira Rio, Malvinas, entre outras, como também da cidade de Camaragibe e São Lourenço da Mata, sendo assim um descaso do poder público. Várzea do Capibaribe, como o bairro era chamado antigamente, já mostra como a relação com o Rio Capibaribe é regada de afetos. O rio Capibaribe que corta o bairro da Várzea, já foi rota de comercialização na época da colonização da Cana de açúcar, os banhistas que vinham de diversas regiões acreditavam que o banho no rio, tinha poder de cura. O Rio Capibaribe, já foi e ainda é utilizado como uma forma de transitar pelo bairro, uma forma de atravessá-lo e chegar na UR-7 Várzea, conhecida como Várzea de Cima. Para as pessoas que moram perto, há uma grande diversidade na paisagem, diversas espécies de pássaros e árvores, tendo um clima agradável. Em tempos de chuva, há uma preocupação, por questões de cheias.

Mata da Várzea
Lugar
A Mata da Várzea é um patrimônio vivo do bairro, uma parte da reserva da Mata Atlântica, há afluentes e nascentes do Rio Capibaribe, é preservada pela família Brennand, havendo uma certa restrição ao acesso da comunidade, mas que ainda assim, é ocupada pela mesma para o lazer, para a preservação e convivência, pesquisas e trilhas ecopedagógicas. É fonte de saúde e sobrevivência para o povo varzeano e para quem vem visitar, tendo diversos períodos, como o das frutas e das águas. A riqueza da mata atlântica e a diversidade de espécies que são encontradas nela.

Feira da Sulanca
Lugar
Há mais de três décadas, a Feira da Sulanca do bairro da Várzea, situada em Recife-PE, tem sido uma presença marcante e tradicional todas as quintas-feiras. Reconhecida pela ampla oferta de produtos têxteis e vestuários, a feira é composta por uma diversidade de barracas que encantam os visitantes e oferecem produtos advindos de diversos lugares do estado de Pernambuco, inclusive dos pólos de Caruaru-PE, Santa Cruz do Capibaribe-PE e Toritama-PE. Ao longo de sua trajetória no bairro, ela tem sido um ponto de encontro não apenas para os comerciantes da Várzea, mas também para aqueles vindos de bairros circunvizinhos. Situada na movimentada Av. Afonso Olindense, próximo a Praça da Pinto Damásio (Praça da Várzea), a feira acontece semanalmente e tem como propósito oferecer aos frequentadores uma grande variedade de opções, aliada a preços acessíveis. Com o passar dos anos, a Feira da Sulanca da Várzea conquistou seu lugar como um espaço de referência para compras, negociações e interações sociais e econômicas, sendo reconhecida como uma das maiores e mais tradicionais feiras da sulanca em toda a cidade de Recife.
A Feira é realizada todas as quintas-feiras, das 7h às 21h, oferecendo uma ampla variedade de produtos, incluindo roupas, calçados, acessórios, artigos para cama, mesa e banho, lanches e acessórios eletrônicos. Os períodos festivos, como Carnaval, São João, Natal e ao longo das festas locais, são especialmente importantes. A Feira é conhecida por oferecer produtos com preços acessíveis para toda a comunidade que a frequenta, além de ser um local para compra e venda, a Feira da Sulanca é um ponto de encontro importante para comerciantes em busca de oportunidades de negócios, estabelecimento de parcerias comerciais e ampliação de suas redes de contatos. A feira desempenha um papel significativo no desenvolvimento econômico do bairro, gerando renda local para a comunidade. A Feira também possui uma relação afetiva forte com o bairro e seus frequentadores, estando associada a costumes e práticas locais, fortalecendo a identidade cultural do bairro, proporcionando um ambiente acolhedor tanto para os comerciantes quanto para os frequentadores. É reconhecida como um espaço onde as pessoas se sentem pertencentes e onde a comunidade se reúne para a compra e venda, bem como, compartilhar suas experiências.

Praça da Várzea
Lugar
A Praça da Várzea, como é popularmente conhecida, está localizada no bairro da Várzea, em Recife, Pernambuco. Seu nome oficial é Praça Pinto Damásio e é reconhecida por ser um ponto cultural e diversificado. Surgida no início do século XX, a praça era originalmente composta por duas áreas separadas, cada uma com seu próprio nome. Há cerca de 30 anos, a comunidade começou a reconhecer essas duas áreas como um único espaço. A partir desse momento, as praças deixaram de ter nomes distintos e passaram a ser tratadas como um único local, sendo denominado Praça Pinto Damásio, mas ainda sendo conhecida como Praça da Várzea, por ser a principal praça do bairro. O local é marcado por sua beleza natural e encantadora. Um dos aspectos encantadores são os baobás que existem há mais de 30 anos, além de um Oitizeiro que chama bastante atenção, pois está presente no local há mais de 100 anos.
Muito mais do que um simples território, a Praça da Várzea se tornou um símbolo de resistência, ocupação política, cultura, lazer e entretenimento. Esse local é um berço para a arte, promovendo uma grande troca de saberes e encontros significativos. É o palco de diversos movimentos culturais e artísticos, tais como Segunda Anticapitalista, Coco de Quinta, Batalha na Várzea, Várzea Underground, Festival de Inverno, Virada Cultural da Várzea, Feira Agroecológica, Os Malanarquistas, Maracatu Real da Várzea e Break Dance. Todos esses movimentos acontecem em dias específicos na Praça da Várzea, sendo que alguns deles até mesmo se originaram nesse local. Além disso, a praça também oferece atividades relacionadas à saúde e ao lazer. Há uma academia disponível para os moradores da cidade, aulas de zumba e uma quadra esportiva. É importante destacar, ainda, as atividades comerciais presentes no local, como espaços recreativos para crianças, brechós, bares, fiteiros, vendedores ambulantes, lanchonetes e food trucks.

Rua da Feira
Lugar
A Rua Azeredo Coutinho, conhecida popularmente como “Rua da Feira”, está localizada no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife-PE. Por iniciativa dos moradores locais, tornou-se um importante ponto de encontro cultural para a comunidade e arredores. A dinâmica desse espaço se transforma entre o dia e a noite, no período diurno, existe uma feira de produtos naturais, bem como serviços diversos, como mercados, venda de ervas, corte de cabelo, conserto de eletrônicos, venda de descartáveis e pequenos restaurantes, todos funcionam em estruturas de quiosques. No período da noite a Rua oferece o serviço de bares e restaurantes, além disso, o lugar revela diferentes facetas de sua essência cultural, com apresentações de músicas e danças populares. Neste espaço é possível perceber a diversidade de pessoas, seja pela identidade étnica, de gênero e etária, o que torna o lugar plural e democrático. Os sons ecléticos de músicas ao vivo ecoam pelas ruas, atraindo diferentes tipos de pessoas para conversar, e compartilhar experiências. Músicos de diferentes estilos marcam presença, com apresentações nos bares, proporcionando aos visitantes uma pluralidade envolvente de ritmos musicais. Tornou-se um verdadeiro palco de encontros e apresentações para os estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizada a poucos metros de distância. Um local acolhedor, onde as diversidades se encontram e são respeitadas, recuperando para o bairro um ar bucólico e ao mesmo tempo efervescente. Sua arquitetura é marcada por fachadas coloridas que ainda remontam às primeiras habitações do lugar, com murais e instalações de arte ao ar livre, trazendo uma atmosfera acolhedora aos visitantes e transeuntes. Um símbolo de extrema importância e resistência na Rua da Feira, é o Casarão da Várzea, uma antiga edificação que há muito tempo vem sendo reivindicada pelos movimentos sociais para que se torne espaço de uso comunitário, conforme o uso social que já é feito ao seu redor, incluindo a Rua da Feira e a Praça da Várzea. Eu tenho uma relação antiga com essa rua! Como eu disse, eu estudei da 1° a 4° série naquela escola… Tinha um São João que acontecia quando eu ainda era criança George Souza

Espaço Cultural Peixe Beta
Lugar
O Peixe Beta Espaço Cultural é um espaço de fomentação artística e cultural que nasce em 2017 a partir da inquietação da artista, atriz e agitadora cultural, Beta Ferralc, na intenção de resgatar as celebrações que fizeram parte da história da Rua Francisco Lacerda nº 131, situada no Bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife/PE, como também, movimentar a cultura local. Foi a partir de uma parceria com o projeto “ Histórias em casa” idealizado por Socorro Barros, que nasceu o Peixe Beta Espaço Cultural.
O Peixe Beta Espaço Cultural está sendo construído estruturalmente a partir de muita resistência e persistência, enquanto não pode ser inaugurado fisicamente, as atividades acontecem na área externa, ocupando a rua Francisco Lacerda situada no bairro da Várzea, como uma forma de revitalizar a rua, resgatando as brincadeiras e agitação cultural que eram práticas constante nos tempos passados.
